terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Distinguir o Pecado da Fraqueza


Distinguir o Pecado da Fraqueza

As limitações e inadequações não são pecados e não nos impedem de ser puros e dignos do Espírito.
“Sou mesmo digno de entrar na casa de Deus? Como posso ser se não sou perfeito?”

“Deus pode mesmo transformar minha fraqueza em força?" 

"Jejuei e orei durante dias para que esse problema fosse tirado de mim, mas parece que nada está mudando.”

Vivi o evangelho de modo mais sistemático do que em qualquer outra época de minha vida, mas nunca estive tão ciente de meus defeitos. Por que às vezes me sentia tão ruim quando estava sendo tão bom?

Ao refletirmos sobre essas perguntas, é crucial compreender que, embora o pecado inevitavelmente nos distancie de Deus, a fraqueza, ironicamente, pode conduzir-nos a Ele.




PECADO X FRAQUEZA

Em geral, pensamos tanto no pecado quanto na fraqueza como manchas negras na tapeçaria de nossa alma, apenas com variações de tamanho e graus diferentes de transgressão. Mas as escrituras indicam que o pecado e a fraqueza são intrinsecamente distintos, exigem remédios específicos e têm o potencial de produzir resultados diferentes.

                A maioria de nós conhece melhor o pecado do que gostaria de admitir, mas lembremos: o pecado é a escolha de desobedecer aos mandamentos de Deus ou rebelar-nos contra a Luz de Deus dentro de nós. O pecado é a escolha de confiar mais em Satanás do que em Deus, pondo-nos em posição de inimizade com nosso Pai. Ao contrário de nós, Jesus Cristo não tinha absolutamente nenhum pecado e pôde expiar nossos pecados.

                Tornar-se puro é essencial, pois nada impuro pode habitar na presença de Deus. Mas se nossa única meta fosse ser tão inocentes quanto éramos quando saímos da presença de Deus, melhor seria nem sair do berço até o fim da vida. Na verdade, viemos a Terra para aprender pela experiência a distinguir o bem do mal, crescer em sabedoria e conhecimento, viver valores que nos são caros e adquirir características divinas — um progresso que não podemos fazer nos limites seguros de um berço. A fraqueza humana desempenha um papel importante nesses propósitos essenciais da mortalidade “E se os homens vierem a mim, mostrar-lhes-ei sua fraqueza. E dou a fraqueza aos homens a fim de que sejam humildes; e minha graça basta a todos os que se humilham perante mim; porque caso se humilhem perante mim e tenham fé em mim, então farei com que as coisas fracas se tornem fortes para eles” (I Co. 15:42-44, II Co. 12:7-10 ). 


                As consequências dessa escritura tão conhecida são profundas e nos convidam a distinguir o pecado (incentivado por Satanás) da fraqueza (descrita aqui como uma condição “dada” a nós por Deus).
                Podemos definir a fraqueza como a limitação de nossa sabedoria, santidade e nosso poder que é inerente a nossa condição humana. Como mortais, nascemos frágeis e dependentes, com várias debilidades e predisposições físicas. Somos criados por outros mortais fracos e vivemos cercados por eles. Seus ensinamentos, seu exemplo e sua maneira de tratar-nos também são falhos e às vezes nos fazem mal. Em nosso estado frágil e mortal, sofremos enfermidades físicas e emocionais, fome e fadiga. Vivenciamos emoções humanas como raiva, tristeza e medo. Falta-nos sabedoria, conhecimento, resistência e força. E estamos sujeitos a tentações de muitos tipos.

                Embora não tivesse pecado, Jesus Cristo assumiu plenamente a fraqueza mortal, tal como nós ( II Co. 13:4)Ele nasceu como uma criança indefesa num corpo mortal e foi educado por humanos imperfeitos. Precisou aprender a andar, falar, trabalhar e relacionar-Se com as pessoas. Sentia fome, cansaço, todas as emoções humanas e podia ficar doente, sofrer, sangrar e morrer. Ele “em tudo foi tentado, mas sem pecado”, submetendo-se à mortalidade a fim de poder “compadecer-se das nossas fraquezas” e socorrer-nos em nossas enfermidades ou debilidades  (Heb. 4:15).




                Simplesmente não podemos nos arrepender do fato de ser fracos — e a fraqueza em si não nos torna impuros. Não podemos crescer espiritualmente a menos que rejeitemos o pecado, mas também não crescemos espiritualmente a menos que aceitemos nosso estado de fraqueza humana, lidemos com ela com humildade e fé e aprendamos por meio de nossa fraqueza a confiar em Deus. O Senhor ensinou-o a ser humilde e a ter fé em Cristo. Se formos mansos e fiéis, Deus oferece graça — não perdão — como o remédio para a fraqueza. O Guia para Estudo das Escrituras define a graça como o poder capacitador de Deus para fazermos o que não conseguimos sozinhos (ver o Guia para Estudo das Escrituras, “Graça”) — o remédio divino adequado por meio do qual Ele pode “[fazer] as coisas fracas [se tornarem] fortes”.
Distinguir o Pecado da Fraqueza

Pecado
Fraqueza
Definição?
Desobediência deliberada a Deus
Limitação, debilidade humana
Fonte?
Incitado por Satanás
Parte de nossa natureza mortal
Exemplos?
Violar conscientemente os mandamentos de Deus, crer em Satanás e não em Deus
Suscetibilidade à tentação, emoção, fadiga, enfermidade física ou mental, ignorância, predisposições, trauma, morte
Jesus tinha?
Não
Sim
Qual deve ser nossa reação?
Arrependimento
Humildade, fé em Cristo e empenho para superar
E qual será a reação de Deus?
Perdão
Graça — um poder capacitador
Qual será o resultado?
Ser purificado do pecado
Adquirir santidade, força


Exercer Humildade e Fé

                Desde nossos primeiros passos na Igreja, foram-nos ensinados os elementos essenciais do arrependimento, mas como exatamente podemos promover a humildade e a fé? Considere o seguinte:

Ponderar e orar. Já que somos fracos, talvez não reconheçamos se estamos lidando com o pecado (que exige uma total e imediata mudança de mente, coração e comportamento) ou com a fraqueza (que exige empenho, aprendizado e aperfeiçoamento humildes e contínuos). A maneira de encararmos essas coisas pode depender de nossa experiência e maturidade. Pode até haver elementos tanto de pecado quanto de fraqueza num único comportamento. Se dissermos que um pecado é na verdade uma fraqueza, acabaremos por racionalizar em vez de nos arrependermos. Se dissermos que uma fraqueza é um pecado, poderemos sentir vergonha, desespero e até desistir das promessas de Deus. Ponderar e orar nos ajuda a fazer essas distinções.

Priorizar. Como somos fracos, não podemos fazer todas as mudanças necessárias de uma só vez. Ao lidarmos com humildade e fidelidade com nossa fraqueza humana, alguns aspectos por vez, podemos gradualmente reduzir a ignorância, transformar bons padrões em hábitos, aumentar nossa saúde e nosso vigor emocionais e físicos e fortalecer nossa confiança no Senhor. Deus pode nos ajudar, a saber, por onde começar.

Planejar. Como somos fracos, para fortalecer-nos precisaremos de muito mais do que um desejo justo e de bastante autodisciplina. Também precisamos planejar, aprender com erros, desenvolver mais estratégias eficazes, reavaliar nossos planos e tentar de novo. Necessitamos da ajuda das escrituras, de livros relevantes e de outras pessoas. Começamos aos poucos, regozijamo-nos nas melhoras e corremos riscos (ainda que isso nos faça sentir-nos vulneráveis e fracos). Precisamos de apoio para fazer boas escolhas mesmo que estejamos cansados ou desanimados e precisamos traçar planos para voltar ao caminho correto quando tropeçarmos.
Exercer paciência. Já que somos fracos, as mudanças podem demorar. É simplesmente impossível renunciarmos a nossa fraqueza como renunciamos ao pecado. Os discípulos humildes fazem de bom grado o que é preciso, aprendem resiliência, continuam se empenhando e não desistem. A humildade nos ajuda a ter paciência com nós mesmos e com os outros que também são fracos. A paciência é uma manifestação de nossa fé no Senhor, da gratidão por Sua confiança em nós e de nossa convicção de que Ele cumprirá Suas promessas.

                Mesmo quando nos arrependemos sinceramente, alcançamos perdão e ficamos puros de novo, permanecemos fracos. Ainda estamos sujeitos às doenças, às emoções, às predisposições, à fadiga e às tentações. Mas as limitações e inadequações não são pecados e não nos impedem de ser puros e dignos do Espírito.


Da Fraqueza à Força

                Ainda que Satanás esteja ansioso para usar nossa fraqueza para nos incitar ao pecado, Deus pode usar a fraqueza humana para nos ensinar, fortalecer e abençoar. Todavia, ao contrário do que poderíamos esperar ou ansiar, Deus nem sempre faz “as coisas fracas [se tornarem] fortes” para nós eliminando nossa fraqueza. Quando o Apóstolo Paulo orou repetidamente para que Deus retirasse um “espinho na carne” que Satanás usava para afligi-lo, Deus respondeu: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”  (II Co. 12:7-9)

                Há muitas maneiras pelas quais o Senhor “[faz] as coisas fracas [tornarem-se] fortes”. Ainda que Ele possa eliminar a fraqueza por meio da cura excepcional que esperamos...


                 Deus também pode transformar as coisas fracas em fortes ajudando-nos em nosso empenho para vencer nossas fraquezas, para ganhar um senso de humor adequado ou a perspectiva correta sobre elas e para melhorá-las gradualmente, no devido tempo. Da mesma forma, as forças e fraquezas tendem a estar inter-relacionadas (como a força da perseverança e a fraqueza da obstinação), e podemos aprender a valorizar a força e a amenizar a fraqueza que a acompanha.

                O amor, sabedoria e o poder redentor de Deus ficam mais evidentes do que nunca em sua capacidade de transformar nossa luta contra a fraqueza humana nas virtudes e forças divinas inestimáveis que nos tornam mais semelhantes a Ele.

Distinguir a Culpa Construtiva (Tristeza Segundo Deus) e a Humildade da Vergonha Ilusória e Inútil
Culpa Construtiva — Tristeza Segundo Deus pelo Pecado
Fé e Humildade — Mansidão Cristã na Fraqueza
Vergonha Destrutiva — Substituto Ilusório e Inútil
Tendemos a:
  • • 
Sentir remorso por violar nosso código moral.
  • • 
Arrepender-nos, passar por uma mudança de mente, coração e comportamento.
  • • 
Abrir-nos, confessar nossos erros e repará-los.
  • • 
Crescer e aprender.
  • • 
Ver a nós mesmos como pessoas intrinsecamente boas e de valor.
  • • 
Desejar harmonizar nosso comportamento com nossa autoimagem positiva.
  • • 
Confiar plenamente no poder redentor da Expiação de Cristo.
Tendemos a:
  • • 
Sentir uma segurança serena e autoaceitação apesar de nossos defeitos.
  • • 
Assumir riscos para crescer e fazer contribuições.
  • • 
Assumir a responsabilidade por nossos erros e ter o desejo de melhorar.
  • • 
Aprender com os erros e fazer novas tentativas.
  • • 
Desenvolver senso de humor e aproveitar a vida e o convívio com as pessoas.
  • • 
Encarar nossa fraqueza como algo que temos em comum com os outros.
  • • 
Ser pacientes com as fraquezas e falhas alheias.
  • • 
Aumentar nossa confiança no amor e auxílio de Deus.
Tendemos a:
  • • 
Sentir-nos imprestáveis e desesperançosos.
  • • 
Tentar esconder nossa fraqueza dos outros.
  • • 
Ter medo de ser desmascarados.
  • • 
Culpar os outros pelos problemas.
  • • 
Evitar assumir riscos por considerarmos o fracasso humilhante.
  • • 
Competir e comparar-nos com os outros.
  • • 
Ficar na defensiva e tornar-nos obstinados ou sem iniciativa.
  • • 
Ser sarcásticos ou excessivamente sérios.
  • • 
Ficar obcecados com nossas falhas ou nossa superioridade.
  • • 
Temer a rejeição e desaprovação de Deus.

O Milagre da Expiação

                “Restaurar o que não podemos restaurar curar o que não podemos curar consertar o que quebramos e não conseguimos reparar: eis o propósito da Expiação de Cristo”. (…).

                Repito: exceto para os poucos que decidem seguir o caminho da perdição, não há hábito, vício, rebelião, transgressão, apostasia nem crime que não se inclua na promessa de total perdão. “Essa é a promessa da Expiação de Cristo.”




DEUS SEJA LOUVADO POR SUA MISERICÓRDIA PARA TODO O SEMPRE 

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